Num Olimpo distante, Zeus, todo-poderoso,
Em fúria, se ergue, como um trovão.
Prometeu, insolente, desafiou o poder,
Dando aos homens o fogo, um feito a temer.
Com olhos em chamas, Zeus, em ebulição,
Engendrou um plano ardiloso.
Encomendando Pandora a Hefesto, encargo moroso.
Pandora era bela, cheia de graça e encanto.
Zeus ofertou-lhe uma caixa, um segredo e tanto.
"Nunca a abra, Pandora, é a minha exigência,
Pois dentro dela, nada seduz, só há desavença."
Curiosa e ousada, mas rendida à tentação,
Abre a caixa e derrama-se a confusão.
Guerra, doenças, males sem parar…
Porém, entre as sombras, um raio a brilhar.
A esperança brota como luz acesa na escuridão.
Na aula de história, onde o tempo enreda lições do passado,
O mito de Pandora emerge, despertando-me, ousado.
Uma mulher curiosa, uma caixa proibida, um enigma a
decifrar.
Pandora é única, mas replica-se em nós – é ímpar.
Na pré-história, quando o mundo era selvagem e vasto,
Pandora, uma mulher das cavernas, recebe um presente
nefasto.
Uma caixa de pedra, selada, com mistério ancestral,
Guardando segredos arcaicos, um enigma proverbial.
"Não toque", ecoa o sussurro do espírito da
natureza.
Todavia, ela, em transe, abre a caixa rudimentar,
Arruína-se a fechadura, ela esboça um esgar;
com mãos trémulas, sem certeza,
A audácia de Pandora não conhece censura.
E dos confins da escuridão assomam males sem cura.
Fome, doença, predadores famintos à espreita,
Cada mal libertado, com um eco triste a rejeita.
Mas, no âmago da caixa, uma chama a arder,
A esperança, uma centelha, a persistir e a vencer.
Na esplêndida era da Antiguidade,
Pandora, envolta em sua majestade,
Recebe dos deuses uma caixa preciosa,
Repleta de segredos, uma dádiva enganosa.
"Não se atreva!", advertem as divindades altivas,
Mas, a ousadia é como uma chama - cativa-a.
Quebra o lacre e pressente as silhuetas nocivas.
Pandora, com olhos brilhantes - que intensidade! -
Desafia a ordem, ignorando a advertência, de verdade.
A tampa da caixa ergue-se, sem demora,
Os males do mundo são libertados e tudo piora.
Contudo, no centro da caixa, uma chama a reluzir:
A esperança, mesmo diante do caos, a persistir.
Na era medieval, temerosa e sombria,
Pandora, uma donzela, recebe uma caixa por cortesia.
Guardiã dos segredos num castelo antigo,
O desvelo, como fogo, abrasa-a, possessivo.
"Não descerre", sussurram os senhores do alto.
Pandora acaricia o tampo, sente um sobressalto.
Contudo, a tentação brilha, nos olhos de cobalto.
Com mãos trémulas, a tampa ergue, o rosto soleva,
E os males do mundo antigo irrompem, sem trégua.
Doenças, guerras, fomes e prantos sem par,
Cada mal libertado, como um lamento a ecoar.
Mas, no fundo da caixa, uma luz a brilhar:
A esperança, imersa em desespero, começa a vigorar.
Na era da máquina e do vapor incessante,
Pandora, uma operária, entreolha um presente.
Uma caixa metálica, fechada com atavios,
Repleta de ferragens, mistérios e desafios.
"Não mexa", sussurram vozes na fábrica inclemente,
Mas, o atrevimento de Pandora é uma força ardente.
Sacode a caixa, solta-se um silvo, liberta-se o ar.
Poluição, exploração, desigualdade a alastrar,
Cada mal libertado, como fumaça a pairar.
Das ruas escuras, surgem males reprimidos,
A exploração, a injustiça, a cobiça – todos permitidos.
Porém, entre as engrenagens, na contraluz,
Vislumbra-se a esperança que, ousadamente, reluz.
No agrume das trincheiras, no retumbar das armas,
Pandora, uma enfermeira, enfrenta mágoas e dramas.
Uma caixa de metal, selada com medo e cativeiro,
Guarda os horrores das guerras, um enigma derradeiro.
"Não abra", sussurram espíritos dos caídos em
batalha,
Mas, a intrepidez de Pandora é como uma navalha.
Como lume absorvendo um fardo de palha.
Ela abre a caixa, libertando os horrores da carnificina,
E os males das guerras assolam-na, como uma sina.
Dor, tortura, morte e destruição, marcham e marcham,
Os males libertados são espectros que pairam.
Mas, no cerne da caixa, uma chama que brilha,
A esperança pulsa na escuridão, deixa uma trilha.
Num mundo moderno, de avanços tecnológicos,
Pandora, agora uma jovem de olhos atónitos,
Recebe um presente digital - uma caixa virtual -
Cheia de promessas e perigos, em nada banal.
"Não exponha", adverte o deus digital,
Mas a audácia, como sempre, é imortal.
Com a mão retesada, como num ritual,
Pandora clica, a caixa ilumina-se, sem hesitar,
Os males do mundo virtual começam a brotar.
“Malware”, “hackers”, “trolls” e “spam” emergem sem parar
“Chats” de redes sociais inundam-se de ódio, a disparar.
Mas, entre as trevas da internet, uma conexão brilha,
Há esperança, uma ligação verdadeira que se partilha e
vigia.
Na aula de história, onde o tempo enreda lições do passado,
Pandora ressurge, en(caixa)-se - um mito sempre renovado.
Impulsiona a energia que a curiosidade invoca.
Lembra-nos que a esperança nunca morre e tudo suporta.