28.9.23

"Autor do Mês" - Natália Correia

 Em mês de centenário (Natália de Oliveira Correia nasceu a 13 de setembro de 1923 e morreu a 16 de março de 1993), o nosso destaque para a escritora e poeta sobre a qual podem obter mais informação, visitando na biblioteca a exposição a ela dedicada. 



Partilhamos também aqui o vídeo 100 anos de Natália Correia (da RTP Madeira).

E porque falamos de poesia, a voz de uma outra autora que não deixa de a homenagear:

4.

.

Quis descrever o primeiro mar do Outono,

contar das gradações da luz na areia, na superfície

das marés, na dissimulação das nuvens, à medida

que os dias se estreitam, mas a morte interrompeu

o declínio das horas e das sombras, pelo que compor

significados e explicações passou a ser apenas

o silêncio dos escombros que acumula tudo

o que, de súbito, soa a uma indizível distância.

.

Se olho para o que ficou para trás ocupando

o espaço inexistente entre dois poemas, talvez

o que não se aguarda já estivesse afinal previsto,

dobrando-se o mundo às profecias. Alice B.

não salvou o Verão nem sequer Agosto,

calou-se ao fim de sete dias, só mais um dia

do que deus precisou para descansar, assim

se revelando mais forte a sua não convicção

do que a minha crença.

.

Convenço-me. Sobre o milho que já foi colhido

quase não há nuvens na maré vaza:

se é para escolher um presságio, eu só queria

«a tua mão por cima das horas»(1).

.

25 de setembro de 2023

.

[Sandra Costa]

.

(1) Verso de Natália Correia.

 

14.6.23

Leitores Top!

 E hoje também foi dia de destacarmos dois dos leitores que mais livros requisitaram na nossa biblioteca durante o ano letivo. São "Leitores Top 22/23", a Ariely Almeida, do 7.ºA, e o Leandro Mendes, do 8.ºB


 Parabéns e continuação de boas leituras!



Boas férias! - pelo Clube de Francês

 Os últimos dias foram de trabalho colaborativo, na construção de um painel para a  Learning Street, por parte dos alunos do Clube de Francês da ESRT. 

  Aqui fica o registo de alguns momentos e do resultado final.




13.6.23

Fernando Pessoa - Autor do Mês

 Há 135 anos, a 13 de junho de 1888, nascia em Lisboa o nosso grande FERNANDO António Nogueira PESSOA. 

  Na nossa Biblioteca o mês é-lhe dedicado. Não deixem de visitar a exposição com as obras do autor selecionadas, os excertos transcritos e os belíssimos trabalhos de desenho de alunos da ESRT.



5.6.23

Olimpíadas da Cultura Clássica 2022/23 - 1.º Prémio!

 É com enorme orgulho que partilhamos o texto da nossa aluna Açucena Alijaj, do 10.ºI, e membro do Clube de Leitura e Escrita da ESRT, que ganhou o 1.º Prémio na modalidade de escrita (escalão C - secundário), nas Olimpíadas da Cultura Clássica 2022/23 - fruto da parceria entre a Rede de Bibliotecas Escolares, o Ministério da Educação e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 


Parabéns, Açucena! Excelente trabalho!



Game On, Sísifo

por Açucena Martins Tavares da Silva Alijaj, 10ºI


Toc-toc-toc - passos apressados…

Hermes, Hades e Zeus ligam sensor.

Clic! - acende-se, abrupto, um visor.

Plic-plic-plic - comandos ativados.

A luz materializa-se, os botões estão controlados.

Os deuses remexem-se, finalmente sentados.

O ecrã ilumina-se, mostra a tarefa.

O jogo começa, lançaram-se os dados.

Hermes, Hades e Zeus entreolham-se.

O espaço enquadra os tronos sagrados.

Faz-se silêncio, o jogo regressa.

Clic! – Queremos ação e temos pressa!

Game On, Sísifo: Estamos ligados.

 

Sísifo olha para o ecrã e inspira.

O penedo de mármore esmurra-lhe os dedos;

parece um novelo de medos e ira.

Sísifo e-x-p-i-r-a.

A pedra esfacela na subida.

Íngremes dores, esgares azedos,

o peso do medo e da vida torcida;

O respirar arfante, embrulha as discordâncias.

Falha o derreado antebraço,

cede o quadril, mostra descompasso.

Tem sede e fome, sente-se vil.

Vacila: pesam-lhe antigas manigâncias.

Os músculos tensos, gela-se-lhe o rosto.

Os pulmões ardem, contraídos pelo esforço.

O penedo lasca largando pó.

O olhar é baço, metendo dó.

O penedo sobe que sobe,

sobe com o medo.

Montanha acima, Sísifo treme.

Menos altivo, mais quebrantado,

joelhos tensos, olhar toldado.

O peso deixa-o transtornado.

Montanha acima, sem descanso,

como um relógio acelerado.

 

Sísifo empurra, Sísifo sobe, atordoado.

Hermes, sagaz, puxa um comando;

Hades sorri, um olhar brando.

Sísifo sobe descontrolado.

Tudo lhe foge, desconcentrado.

Impelido pela brisa que o envolve,

vareja-lhe as pernas, os braços assola,

o afinco insiste e o penedo rola.

Rola que rola, montanha acima,

novelo de quebranto e altivez que o engole.

A mente vagueia e Tanatos surge-lhe:

lembra-lhe o grilhão com que o prendeu.

Traz-lhe a mulher, Mérope, e a prole…

O pai, Éolo, que o vento move.

Lembranças de Corinto que nunca esqueceu.

Traz-lhe Ares e o sarcasmo dos Deuses.

Traz-lhe o marasmo que nunca o prendeu.

Lembra-lhe todos os que ofendeu e

pesam-lhe os cortes e as equimoses.

 

Não há trofeu no final da escalada,

Nem clamor de glória alada,

Nem ninfas, nem odes, tudo esmoreceu.

Rolará o novelo de pedra, bruscamente,

que no fundo da montanha desabará.

Para Sísifo o voltar a erguer, inalteradamente,

Retomando a subida que perdurará.

Os pulsos tremendo, o ombro enrijecido,

protege o rosto e o corpo dormentes.

Afaga o penedo, entorpecido.

O vento uiva tempestivamente.

Rola o novelo, rola que rola.

Novelo de pedra, de raiva e quebranto.

Castigo dos Deuses ultra prepotentes,

Que pressionam alavancas, botões, componentes…

 

Sísifo puxa e repuxa, força de rei;

Rei degradado, desterrado, sem manto,

que forçou o fado de ser um mortal.

Os Deuses observam e trocam esgares,

desprezam-no: um bruto com força braçal.

Sísifo puxa e repuxa o penedo.

Sonha acordado com o florir do corinto.

Procura a coragem no abismo do medo.

A pedra pesa, Sísifo expira. Ai, a ira!

Sísifo é forte, não se vê quebrado.

Empurra o penedo, a montanha gira

no seu olhar penumbrado.

“Liberte-se o vento nesta punição!

- Grita um Deus, encolerizado.

“Sísifo está fraco, corcovado,

vai destruir-se e acabar a exibição.

Temos de o manter motivado, senti-lo preso e desalinhado,

manter o absurdo desta privação.”

 

Sísifo ouve o rugido do metelmi.*

Perde-se o quebranto, surge a altivez.

Lembra-se de quando já teve ambição.

Puxa que puxa o penedo e sorri.

Éolo não lhe falhará, di-lo o coração.

Atinge o cume sem resignação.

Os ventos ajudam, convergem com manha.

Esquece os grilhões, castigo e tormento...

 larga o novelo, em catadupa.

O Vento apoia, com força bruta,

resvala o penedo, que simboliza “a luta”.

Rompe o absurdo, esfrangalha a rotina.

Desfaz-se em caos no sopé da montanha,

em seixos lascados pela adrenalina.

 

Os deuses primem e comprimem botões.

Soltam alarvidades e dão empurrões.

Gesticulam, gritam, desequilibrados.

Sísifo rompeu as regras - o jogo está parado.

“Como se atreve, é um vil mortal…” clamam os deuses do seu pedestal.

A luz desvanece…uma cor boreal.

Sísifo sorri e sai do ecrã.

Jogo acabado.

Game Over, Sísifo.

 

*“Metelmi” é um vento seco do Norte que ocorre de finais de maio a finais de setembro, principalmente no Mar Egeu e o Mediterrâneo oriental, mas está no seu ponto mais poderoso nos meses de verão de junho a agosto.


Concurso de Tradução “Prémio Traduzir 2023”

É com muito orgulho que noticiamos que a aluna Patrícia Alexandra Brás Santos, do 11.º M, obteve a 1.ª Menção Honrosa no concurso de tradução da Universidade Católica de Lisboa “Prémio Traduzir 2023”, que se realizou na Biblioteca Escolar/ Centro de Recursos Educativos, da Escola Secundária, no dia 23 de janeiro de 2023.


A participação do Agrupamento neste Concurso faz parte das atividades desenvolvidas ao longo do ano pelo Projeto “Traduzir é Conhecer”, e abrangeu alunos dos 11.º e 12.º anos, que traduziram textos em língua inglesa ou espanhola para língua portuguesa.


   Parabéns à Patrícia e restantes participantes!